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Cantador como eu ninguém num fez
Deus deixou pra mandar muito depois
Que se cabra for grande eu dou em dois
E se o cabra for médio eu dou em três
E se for bem pequeno eu dou em seis
Que a minha riqueza é bem total
Cantador como eu não nasce igual
Que eu nasço mais baixo sou mais estreito
Repentista só canta do meu jeito
Se for fora de série ou genial.
Louro
Branco, que aprendeu a gostar de cantoria através do seu pai, já lançou
vários CDs, folhetos e livros durante a carreira. Repentista desde os 12
anos de idade, Francisco Maia de Queiroz, 62 anos, mais conhecido como
Louro Branco foi o campeão ao lado de Moacir Laurentino na 25ª edição
do Festival de Violeiros.
Acho
bonito o inverno
Quando o rio está de nado
Que o sapo faz oi aqui
Outro oi do outro lado
Parece dois cantadores
Cantando mourão voltado.
Pergunte
a qualquer pessoa quais são as três piores coisas do mundo, e peça para
explicar por que. Nove entre dez mortais vão passar uma hora explicando e
gastando palavras. O poeta não. Veja essa décima (estrofe de dez linhas)
atribuída a Louro Branco que responde à sua pergunta:
Um grande sábio profundo
Me perguntou certa vez
Se eu conhecia as três
Piores coisas do mundo
Lhe respondi num segundo
E lhe dei explicação:
- Doido, mulher e ladrão.
Doido não tem paciência
Ladrão não tem consciência
E mulher não tem coração.
Sintético, enxuto, exato, na medida. Uma estrofe perfeita.
Fonte: http://www.sobresites.com/poesia
Louro
Branco é cearense da localidade de Feiticeiro, município de São João
do Jaguaribe. É o poeta mais engraçado que eu conheço... Tem um domínio
fantástico de todas as técnicas da cantoria. Cantando com VALDIR TELES,
o colega perguntou onde LOURO residia e depois disse o seguinte:
QUALQUER DIA, MEU COLEGA
VOU CONHECER SUA CASA...
LOURO pegou na deixa e falou:
MEU CUMPADE, A MINHA CASA
É UMA CASA TÃO FEIA...
D'UM LADO É UM CEMITÉRIO
DO OUTRO LADO A CADEIA
D'UM LADO SE COME TERRA
DO OUTRO SE COME PEIA.
Cedido
pelo cordelista Arievaldo Viana.
Essa
figura (Louro Branco), é por demais conhecida e admirada na minha região,
o Seridó do RN. Por sinal, todos os anos, por ocasião da Festa de
Sant'Ana, padroeira da cidade de Caicó/RN, há um Festival de Violeiros
num dos clubes da cidade e, nessa oportunidade, apresetam-se os maiores
repentistas do Nordeste e Louro Branco é um deles. Já foi dito, mas,
acrescenta-se ainda que o nome completo dele é Francisco Maia de Queiroz,
nascido na região do Jaguaribe,CE. Seus repentes são, naturalmente,rápidos
e irreverentes, por isso, é considerado o ZÉ LIMEIRA da atualidade.
Participa sempre de festivais que acontecem, assim: Um poeta famoso que
reside numa região numa certa data do ano, convida mais outros "time
dos ases" e no seu lugar faz o festival. Afora os patrocínios, os
rendimentos da festa são rateados a uns e outras festas a outros. É uma
coisa bem organizada. Mas, falemos de Louro: Numa ocasião, cantando
"um pé de parede" com Oliveira de Panelas, saiu-se com essa:
Eu admiro as formigas
Uma folha carregando
Trinta na frente puxando
Quarenta atrás empurrando
E vinte que vão em cima
Pensam que tão ajudando.
Noutra oportunidade, cantando à Natureza, disse:
Admiro a Natureza
Mar vomitando salinas
Lajedos de corpos nus
Com as pedras cristalinas
E as serras, túmulos rochosos
Onde Deus sepulta as minas
Num festival em Caruaru/PE, cantando em parceria com Edvaldo Zuzu, o mote
- Quem fez o que fiz nãopensa/porque se pensar não faz - ele disse
assim:
Assaltei um sancristão
Lhe botei em mau caminho
Dei 3 tapas em meu padrinho
Sexta Feirqa da Paixão
Dei em mãe um empurrão
Cheg'ela caiu pra traz
E uma nega emprensei mais
Do que um queijo na prensa
Quem fez o que fiz não pensa
Porque se pensar não faz
Num
festival chamado - CAMPEÕES
NORDESTINOS DO REPENTE, realizado em Fortaleza e o mote "Quanto mais
ela namora/Mais eu sou louco por ela, ele disse mais adiante:
Ontem eu vi ela beber
E com ele se deitar
Na lingua pegou chupar
Na boca pegou lamber
Quando eu vi ele fazer
Do bucho dela uma sela
Tive tanta pena dela
Que chorei mais de uma hora
Quanto mais ela namora
Mais eu sou louco por ela
Noutra feita,num festival em Tuparetama/PE, cantando uma sextilha com Miro
Teixeira, e falando sobre o cotidiano da roça, fez um repente assim:
Limpar pra o mato morrer
De gitirana e urtiga
Pastorar o periquito
Pra não comer a espiga
E ter que botar veneno
Se a roça tiver formiga.
Outra vez ele cantava com outro poeta cearense de nome Chico Chagas
falando sobre cantadores falecidos. Já estava se esgotando a lista dos
falecidos quando o seu parceiro falando de um seu irmão que ao começar a
cantar, morreu, terminou uma estrofe, dizendo:
O sertão sente saudade
Do meu irmão Serafim
Louro Branco aproveitou "a deixa" e falou:
Oh! rapaz pra cantar ruim
Apesar de irmão seu
Quis ser grande mas não pôde
Estudou, não aprendeu
Cantava tão ruim de um jeito
Que quando acertou morreu...
Noutra oportunidade, cantando com Sebastião da Silva, outro poeta de
primeira grandeza, e falando da herança que deveria deixar para a família,
saiu-se com essa:
No dia que eu morrer
Deixo a mulher sem conforto
Roupas em malas guardadas
E o chapéu em torno torto
E a viola com saudades
Dos dedos do dono moro.
Cantando em Patos/PB com Geraldo Amâncio e falando sobre política disse:
Tancredo ia ser um show
Mas houve aquela mazela
Quando cortava as virilhas
Dava inflamação na güela
Eu inda estou pra saber
Que putaria era aquela
Cedido
Por Henrique no orkut na comunidade DESAFIO DE CORDEL.
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